Capítulo 3

06 dez 2019 | 18:19:45

Suã com Vinho

"E dava prova disso cada vez que abatia um capado e convidava toda a vizinhança para comer um pedaço de suã e tomar um caneco do vinho de garrafão..."

SUÃ COM VINHO
Djalma B. de Lima – Jun/2018

Na venda do Mané Boca Larga não se tinha lugar prá uma prosa que não fosse o caso de Seu Domíciano. Pois não é que os meganhas, chefiados pelo Tenente Dobrado e os seus jagunços, queriam desalojar o italiano de sua tira de terra? Uma posse de mais de 10 anos, cultivo farto, cerca por tudo lado e casa bem construída de madeira de lei. O mangueirão dava gosto, cocho fácil de servir – na beira de um córgo bom que era mesmo prá porcada se esfacelar. Domiciano foi um dos primeiros a trazer um cachaço da raça Duroc prá aumentar a banha dos Piau que eram criados por ali.  Com o cruzamento, Domiciano aumentou o peso da porcada e apurou o sabor da carne. 

Cansado de duas guerras na Europa, veio para o Brasil na esperança de um futuro “felice” com a família...

E dava prova disso cada vez que abatia um capado e convidava toda a vizinhança para comer um pedaço de suã e tomar um caneco do vinho de garrafão.

Mas nesses dias Domiciano andava temeroso pela família, a casa, a lavoura, a criação, por tudo o que conseguiu no Brasil. Tinha medo do que poderia acontecer. Não demorou para dar mostras de desespero assim que soube da ameaça de despejo:

–  “Governo di merda, bastardi, miserabili. Disgraziati!” – bravejava Seu Domíciano. Cansado de duas guerras na Europa,  veio para o Brasil na esperança de um futuro “felice” com a família.

A desavergonhança vinha do governo que vendeu milhares de títulos por um valorzinho simbólico a quem tivesse condição de lhe dar apoio político.   Agora, com esse desalinho todo, a Força Pública sozinha não dava conta do serviço. Um certo Cabo Dobrado, aproveitando da situação, deu baixa na polícia e partiu para a iniciativa privada. Por conta própria, juntou um bando de jagunços e promoveu-se logo a tenente, exigindo que seus comandados respeitassem a sua nova patente. Não se podia perder tempo, passou logo a oferecer seus préstimos aos novos fazendeiros que chegavam ávidos pelo plantio de café, o “ouro verde” que prometia fortunas, mas exigia quatro anos para a primeira produção. Cabôco metido a valente e pertinaz, Dobrado viu logo a chance de socializar as novas fortunas que iam surgir.  Rapidamente tornou-se figura emblemática da região com violências e matanças. Não demorou e passou a sonhar com a patente de Coronel, tal o seu viés de vencedor cheio de méritos. Estava certo que  o povo acataria a autopromoção – os proprietários chegantes, em agradecimento pelos serviços prestados,  e os locais pelo temor.

 

Muita gente pobre já tinha sido expulsa das posses, até que chegasse a vez da propriedade dos Domiciano – o assunto da hora na venda do Boca-Larga. As nesgas de terra eram ocupadas por gente ingênua que só queria plantar umas latas de semente de feijão ou do debulho de uns milhos ou de um tantinho de arroz nas várzeas. Alguns usaram uns palmos terra na beira dos ribeirinhos para fazer mangueirão de porco, e ali mesmo, montavam seus ranchos de palmito cobertos de sapé. A comunidade brotava de forma natural juntando-se os nordestinos que vinham de pau-de-arara com a vã promessa de trabalho, com os negros e bugres nativos da região.  Não fosse por isso, antes era viver só de caça, peixe, coco, palmito, bananas e chá de begônia selvagem para expulsar as bichas. A Força Pública junto com o exército rôto de Dobrado os vinha expulsando com muita facilidade – sem muito lero e sem piedade.

Até que chegasse a vez de propriedades como a dos Domiciano. Desbravadores que chegaram com boas noções de técnicas de plantio e lida com animais, algum conhecimento de construção e informações trazidas de centros adiantados para agilizar seus projetos. Domiciano, por exemplo, há mais de 10 anos no local já tinha uma boa lavoura, casa de tábua com três quartos e alpendre. Fez questão de estudar os seis filhos no povoado mas, os três  mais velhos tinham terminado o grupo escolar e já podiam penar na roça. (segue: ‘Trás da Painera)

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